quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vou tentar voltar ao Blog.... escrever algumas coisas para se pensar....

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O amor e Henrique VIII



Para estrear este blog, um texto escrito por mim em uma madrugada dessas:

"Por que as vezes insistimos em algo que parece estar morto?

É impressionante como as vezes as coisas mudam em questão de segundos!!!!!!!! Amigos viram inimigos, amores felizes viram infelizes e cheios de marcas profundas!!!! Em questão de minutos, segundos até, você se vê sozinho, escutando Roberto Carlos, sem saber quais músicas parecem com você. Serão as que celebram o amor, ou as que se lamentam por um amor perdido? Normalmente é uma das perguntas mais fáceis de responder , mas em alguns momentos, responder essa pergunta parece ser uma tarefa quase que impossível.
Todos os casais tem problemas? Sim, tem!!! É fato mais do que comprovado que nenhum casal, até mesmo nenhuma pessoa é perfeita! Nenhuma pessoa que ama passa por brigas e desentendimentos sem arranhões ou mágoas.
A questão em qualquer tipo de relação é: Em que momentos devemos persistir e em que momentos devemos desistir, largar, esquecer?

Para todo ser humano que ama é difícil saber o momento certo. A maioria desiste cedo demais ou persiste além da conta, se machucando mais e mais. Difícil é saber ao certo quando devemos parar e quando devemos parar de nos machucarmos ainda mais. Nessas horas sempre recorri ao filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, é um filme que sempre me passou a idéia de que quando há amor, o mais sincero e puro amor, sempre devemos tentar mudar e melhorar; Que uma relação as vezes acaba por causa de coisas tão bobas, que (quando não há erros considerados graves) sempre devemos dar outra chance de amar e ser feliz. As vezes me acho uma idiota, boba, de acreditar nesse tipo de amor que dura a vida inteira. Talvez não exista, talvez depois, o amor vire companheirismo, respeito carinho... Quantos exemplos assim vemos quase todos os dias?? E o contrário também, quantos casais que começam apaixonados e felizes, acabam da pior forma possível, se odiando, com marcas profundas de ambos os lados??? Pessoalmente, nunca gostei do fato que pessoas que foram muito importantes em fases de sua vida, as vezes se tornam inimigos, com palavras de ódio e de raiva. Pegando este trecho da música Detalhes de Roberto Carlos:

"Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada, do tempo que transforma todo amor em quase nada."

Odeio a idéia de que todo amor pode ser transformar em quase nada. Para alguns relacionamentos isso é uma bênção, mas para outros um pesadelo.

Bom, mas por que ainda acreditamos nesse tipo de amor? Por que acreditamos e procuramos como se disso dependesse a nossa vida? Não sei a resposta, talvez eu nunca saiba.

Tomando o exemplo do meu objeto de estudo nos últimos tempos, o rei Henrique VIII da Inglaterra, famoso pelas suas 6 esposas e pela reforma religiosa do século XVI. Este homem se casou 4 vezes por amor, todas essas 4 mulheres tiveram um casamento e um fim de vida nada invejáveis. Depois de mais de vinte anos casado com Catarina de Aragão, muitos abortos e muitas amantes o rei resolveu pedir o divórcio para se casar com sua amante Ana Bolena, sempre me perguntei em que momento o rei deixou de amá-la. Talvez seja o cansaço de esperar que ela lhe desse um filho homem, combinado com a idade dela que já avançara.

Apaixonado pela interessante Ana Bolena, Henrique moveu castelos, rompeu com Igreja Católica e com Roma, repudiou a mulher que tinha dedicado a sua vida à ele e distratou sua filha. Pra que tudo isso? Pra depois de mil dias, só com uma filha mulher e dois abortos, criar um conspiração para culpá-la por adultério e incesto, tendo a intenção apenas de no fim cortar-lhe a cabeça. Aqui também temos a pergunta: Quando Henrique deixou de amar Ana?

Já Jane Seymour, sua terceira esposa, pode ser considerada privilegiada neste hall de amores e esposas de Henrique VIII. Uma dama de companhia de Ana, que como sua antecessora atraiu a atenção do rei e fez ele desejar tê-la como rainha e esposa. Jane, considerada a "esposa perfeita" foi amada desde o seu casamento até depois de sua morte (ocorrida apenas 18 meses depois em função de complicações do parto do primeiro filho homem "legítimo" do rei). Já aqui me pergunto que se Jane não tivesse dado ao rei o tão sonhado e esperado filho homem, ainda teria sido considerada a "esposa perfeita" e amada até o fim da vida de Henrique? Talvez sim, talvez não.


Catarina Howard, sua quinta esposa (e também prima de Ana Bolena), era trinta anos mais nova que o rei já velho e gordo, encantou o rei com sua jovialidade e virou sua esposa. Depois de 18 meses e muitas traições foi decapitada antes de completar 21 anos, seguindo assim, o destino de sua prima. Talvez aqui, o fim do amor de Henrique por Catarina seja totalmente compreensível.

Depois de analisar todas essas relações, cheguei a conclusão que talvez todos nós sejamos pequenos Henriques. Não temos o mesmo poder, os mesmos valores e sadismos, mas todos nós passamos por relações como as dele. Todos nós não pulamos de par em par para achar nosso par ideal? nossa alma gêmea? As vezes não magoamos demais e largamos pessoas que nos amavam de todo o coração??

É possível que todo ser humano tenha tido a sua Catarina de Aragão: o primeiro amor, que te ensinou muita coisa, te amou e fez de tudo para ficar com você mesmo depois da separação, mostrando uma força e uma coragem sem igual; A sua Ana Bolena: aquela pessoa sedutora, inteligente, que chamou sua atenção no primeiro momento, fazendo você ficar totalmente apaixonado e mover castelos para ficar com ela. Mas depois a paixão passou e você a largou do nada; A sua Jane Seymour: seu par ideal, aquela que você amou com toda intensidade do mundo, mas que acabou perdendo por erros seus ou por fatalidades do destino. Mas que sempre
será considerada o amor de sua vida e serve de comparação para todas as outras; E por fim, o tipo mais comum, a sua Catarina Howard: aquela pessoa jovem, que você se apaixonou, mas que te traía constantemente, se você pudesse, não arrancaria a cabeça dela como Henrique fez??
Essa comparação não é verdadeira? Todos nós não tivemos relações e amamos pessoas como ele amou??

Voltando ao raciocínio inicial, talvez nunca saberemos o momento certo de terminar uma relação, o momento de não aguentar as marcas e decepções que um amor conturbado nos deixa. O jeito é tentar confiar no coração e tentar equilibrá-lo com a razão. As vezes pecamos, as vezes não, mas quer saber? Essa é a graça de ser humano!"